sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

A FESTA DO BARCO DE FOGO REALIZADA EM ESTÂNCIA - SE










Estância, localizada a 56Km em
linha reta e 70Km por Rodovia Federal de Aracaju, celebra durante os festejos juninos, diversas manifestações folclóricas, entre elas, a corrida de barcos de fogo que fez com que Estância, através dos belos espetáculos pirotécnicos, ficasse reconhecida nacionalmente.

Antônio Francisco da Silva Cardoso, foi o criador do primeiro barco de fogo. Ele exercia a função de jardineiro na Prefeitura Municipal de Estância e costumava pescar. Tinha o sonho de ser marinheiro. Quando rapaz foi acometido por um problema auditivo que provocou a sua deficiência, ficando assim, conhecido como “Chico Surdo.”

O primeiro barco de fogo foi criado no final da década de 30. A idéia primitiva do barco de fogo se deu através da experiência com uma espada, para correr num fio de arame. Percebeu que quando ateou fogo, sua invenção deu certo e daí por diante começou a criar novas miniaturas de barco.

Na fabricação dessas miniaturas eram utilizados madeira leve e papelão, para a estrutura do barco, e espadas de pólvora e bambu para queimar os rojões. Na decoração dos barcos eram utilizadas bandeirolas coloridas.
Na época a corrida do barco de fogo virou moda transformando-se assim em tradição na cidade. Com o passar do tempo, foram tendo mudanças apenas na criatividade no que diz respeito à decoração dos barcos.

A fabricação dos barcos era caseira, realizada em fundo de quintal e em pequenos barracos. A carcaça do barco estando forrada, o barqueiro juntamente com a equipe, sem nenhuma interrupção, leva em torno de 24 horas na construção do barco. Para os festejos juninos o barqueiro começa a construir os barcos a partir do mês de outubro. Um barco custa em média: R$ 400,00. Os recursos utilizados na fabricação do barco são dos próprios fogueteiros. Não há uma contribuição financeira direta do Município na construção dos barcos. O vínculo que existe entre o Município e os fogueteiros é a compra dos barcos efetuada pela Prefeitura e os eventos por ela promovidos.

No momento a fabricação dos barcos está suspensa devido a uma explosão num barraco há um tempo atrás. Está sendo estudada, pelos órgãos competentes e pelos fogueteiros, a possibilidade da construção de um galpão apropriado para a fabricação dos barcos.

Em Estância, a festa da corrida dos barcos, tem lugar específico que é o Forródromo. Para participar da corrida, os barcos devem respeitar todo o regulamento do concurso, como por exemplo, tamanho, peso do barco, etc.

A corrida é realizada sobre um cabo de aço que corta uma extensão de 300 a 400 metros em linha reta, tendo pilastras de concreto nas duas extremidades. O barco de fogo é conectado por roldanas, a este cabo.

O fogueteiro junto com a equipe utilizam técnicas durante a corrida. É necessário que abaixe a tesoura e o fogueteiro posicione-se de lado para acender o pavio da espada, que fica no interior do barco, pois o barco fica a uma determinada altura. O primeiro pavio é aceso, e faz com que o barco dispare a correr sobre o fio, lança fogos e guirlandas para cima, asperge faíscas em cores. O choque, na outra, extremidade, detona o outro pavio, que produz o movimento em sentido contrário, até trombar na pilastra original.

Há um julgamento para escolher o barco vencedor em que o júri analisa: a decoração, a velocidade em que o barco vai e volta ao ponto de partida e que não deve por nenhum instante parar no meio do percurso e as mais belas flores de fogo que são soltadas durante a travessia.

A Prefeitura Municipal da cidade juntamente com a Secretaria da Cultura, com o objetivo de manter essa tradição, lançou um projeto, em que são realizadas na praça Barão do Rio Branco, todas as penúltimas sextas-feiras do mês, diversas apresentações como: teatro, café cultura, shows musicais, exibição de espadas e corrida de barcos de fogo, que é considerada uma das mais belas apresentações da noite.

A cultura realiza a história do homem. Visa permanecer suas raízes com as novas gerações. Estância, por exemplo, chama a atenção das gerações futuras a não deixar que sua cultura, sua origem e seus feitos se percam na evolução de tanta transformação e tecnologia. Estância não só cultiva suas tradições, mas também empenha em expandir seus valores culturais para outras cidades e estados, despertando no indivíduo o interesse e a valorização da cultura como alicerce na vida do ser humano.

Informações obtidas através de entrevista com o fogueteiro Ademilson da Conceição, popularmente conhecido como “Cride”.




Pesquisa de autoria das acadêmicas:
Carla dos Santos Almeida / Flávia Santos Fonseca / Mara Angélica Rodrigues / Maria Kleidy Tavares Melo / Maryssandra Melo dos Santos / Roselia dos Santos Vieira

2 comentários:

Andrea Herminia disse...

De fato, precisamos respirar e exalar a nossa sergipanidade, por isso a iniciativa deste blog é maravilhosa, pois representa um canal para cultuar e celebrar as nossas tradições, espaço de que tanto necessitamos para construir nas gerações atuais e vindouras esse carinho e essa reverência às "coisas de nossa terra e de nossa gente"!!!

martha disse...

Olá Marcos,
os acadêmicos comandados por você brindam-nos com outra pérola da nossa cultura que é a Festa de São João de Estância e seu tradicional BARCO DE FOGO. É um espetáculo lindo de se ver e as alunas traduziram exatamente este sentimento, recuperando historicamente a importância de todo o ritual.
Parabéns a você e a Carla dos Santos Almeida, Flávia Santos Fonseca, Mara Angélica Rodrigues, Maria Kleidy Tavares Melo, Maryssandra Melo dos Santos e Roselia dos Santos Vieira, dedicadas alunas do curso de Letras da Faculdade São Luis de França pelos resultados.
Bjs.
Profa Martha Suzana Cabral Nunes/FSLF